5.11.09

2.9

É, não tem jeito. Amanhã - quer dizer, daqui horas para ser mais exata - faço 29 anos. O último ano dos 20 e poucos. Fodeu.

O começo do post foi um pouco dramático, mas na verdade eu tô feliz. Adoro fazer aniversário. Sempre gostei. Sempre tem alguma surpresa boa, algum cumprimento inesperado. É um dia que concentra todo o carinho que as pessoas ao seu redor sentem por você. Sempre se come coisas gostosas, sempre tem presentes, sempre tem aquelas gracinhas bobas sobre a sua idade. Também nunca faltam os que esquecem, os que dizem que vão na sua festa e dão o cano, mas isso é o de menos.

À essa altura tenho a sensação de que o futuro chegou. Sabe quando você pensava o que ser quando crescer? Então, com essa idade você já cresceu. E muito provavelmente a vida não está como você imaginava. O que não significa que esteja ruim, né?

Por exemplo, quando eu era criança, achava que nessa idade tão longínqua eu estaria casada e com filhos, como a minha mãe. Achava que seria uma jornalista e trabalharia com automobilismo, de preferência cobrindo a Fórmula 1. Mas a vida foi me levando pra outros lados, eu fui fazendo outras escolhas, e aqui estou. Na Argentina há quase 7 anos, numa grande empresa do ramo do entretenimento, solteira mas com um namorado tamanho família. Não é como eu tinha imaginado, mas é bom de qualquer maneira. Poderia estar melhor? Talvez. Pior? Sem dúvida. No momento, é isso.

E sou bem feliz.

29. Quase 30.É... por via das dúvidas, para o mundo vou dizer "tô fazendo 29" nos meus próximos cinco aniversários (ou até onde der pra enganar)!

11:49 PM -

21.10.09

48 horas em São Paulo

Eu não ia. Mas acabei não resistindo e, 700 reais depois, lá estava eu no GP Brasil pela 15a vez.

Eu estava crente que o Rubinho ia ganhar. Ok, nunca nada dá certo pra ele quando tem que dar, mas e se fosse desta vez? Eu não ia me perdoar se não estivesse lá.

Não ganhou. A corrida foi boa, nem das melhores nem das piores. Continuando a tradição de coisas bizarras do GP Brasil, teve aquele fogaréu no carro do Raikkonen causado pelo Kovalainen, que levou embora a mangueira depois do pit stop. O Webber ganhou, o Button levou o título, vibração perto do zero.

Conseguimos uma entrada para o meu pai faltando uma hora e meia para começar a corrida. Eu já estava no autódromo e só consegui falar com ele á uma da tarde. A corrida começava ás 2. Enquanto eu escutava os carros prontos para largar, vejo Nelsão chegando vibrando, com os bracinhos para cima. Que timing!!

Na verdade este foi o ponto mais vibrante da corrida. Depois a única coisa digna de nota foi o Nakajima filho bateu bem na nossa frente, mas obviamente eu não estava filmando porque nunca estou nas horas que teria que estar. Que timing! Ah, e teve a briga do Sutil e do Trulli e a atuação do novato Kobayashi, que estava com a faca nos dentes.

Valeu. Sempre vale. Tanto pela corrida quanto por rever meu amigo Ti, que me arranja os ingressos e que é uma das minhas pessoas preferidas no mundo há 10 anos. Aliás, ele está ficando famoso e é muito estranho ver as pessoas tirando foto e pedindo autógrafo pra alguém que é tão seu amigo e há tanto tempo. Mas também é um orgulho!!

Valeu também por ter feito surpresa pra minha avó. Combinei com a família de não falar nada pra ela que eu ia pra Sampa. Fui á casa da minha tia, onde ela estava, e entrei na pontinha dos pés. Ela estava sentadinha no sofá, batendo papo, e eu simplesmente surgi na frente dela, concordando com o que ela dizia. Ela ficou uns muitos segundos me olhando boquiaberta, só depois fez um "ai" de susto, levando a mão ao peito. Começamos a rir, e ela, do alto da sua finesse: "puta merda, achei que tava tendo uma miragem! Que tava vendo coisas!".

Valeu por ter visto amigas que não via faz tempo, valeu por comer pizza com catupiry e por tudo o que sempre vale.

******

Nunca tinha pensado nisso, mas a essa altura do campeonato eu já passei praticamente 1/4 da minha vida na Argentina. Carajo!

Falando em Argentina: um leitor argentino (nem sabia que tinha leitores argentinos!) pediu pra eu falar que mais da metade do país quer que o Maradona renuncie. Não sei se é mais da metade, mas realmente muita gente não tá gostando nada dessa história. Por mais que a Argentina esteja na Copa, a argentinada não está nada satisfeita, e com razão. Pronto, leitor, falei!

Outro pensamento solto sobre a Argentina: é incrível como a TV aberta aqui faz programas só sobre os seguintes temas: fofoca, travestis, adolescentes bêbados e/ou drogados, criminosos e travestis. É falta de criatividade ou de recursos, hein? Este seria um bom tema para um post sobre a TV argentina, que aliás eu falo que vou escrever há anos e nada até agora.

1:05 AM -

10.10.09

Será um caso de argentinização?

Geeeente, hoje aconteceu algo estranhíssimo. Estou preocupada.

Vi os últimos dez minutos do jogo Argentina X Peru. Se a Argentina perdesse ou empatasse, ficava praticamente fora da Copa.

Quando liguei a TV estava 1x0 para a Argentina, o que eu imaginei graças aos gritos dos vizinhos. Nos 45 do segundo tempo, o Peru empatou. E foi aí que a bizarrice começou: meu coração apertou. Ué, eu não deveria estar feliz??

Aos 47, a Argentina fez mais um gol. Debaixo de uma chuva torrencial, pelos pés do Palermo, jogador do Boca que vem sendo reverenciado aqui por causa da sua atuação no seleccionado.

Fiquei triste? Passada? Aí que está o problema: NÃO. Pior ainda: instintivamente, sem querer, EU APLAUDI. Foram 4 palmas fortes, empolgadas. Juro que não sei de onde vieram. EU APLAUDI O GOL DA ARGENTINA.

Agora estou em uma profunda crise de identidade: será que estou me argentinizando?? Será que quase 7 anos em Buenos Aires finalmente estão fazendo efeito?? Ou será que é porque no fundo eu quero que eles vão pra Copa, só pra ver eles se ferrarem lá? Será que o fato de ter andado em meio aos torcedores que iam para o jogo agora de tarde me contaminou?? Será que é alguma coisa grave??

Estou preocupada, boludo! Aaaai, olha aí, ó!!!

11:36 PM -

3.10.09

Eu só Rio....

Bom, quem sou eu pra meter o bedelho e quem se importa com a minha opinião, mas né? A blogosfera tá aí pra isso, se tá todo mundo dando pitaco, eu também vou dar o meu.

O Rio é maravilhoso. Óbvio. É uma das cidades mais lindas do mundo. Sem dúvida, e olha que até que eu já viajei. O Rio tem alma, tem sal, tem graça, tem personalidade, tem beleza, é único. Acho um baratinho o orgulho que os cariocas têm da cidade. Gosto da cidade. O Rio representa o Brasil, é quase sinônimo de Brasil no resto do mundo. Fantástico.

Mas essa festa toda pelas Olimpíadas... sei lá.

O que vou dizer não é nem pela cidade, é pelo país. Não concordo com uma olimpíada no Brasil. Portanto, não é inveja de paulista, não. Se fosse São Paulo 2016, eu estaria dizendo a mesma coisa.

Ok, o Brasil tá ficando fodão, tão dizendo que é potência, tá na moda, tá com tudo. Tem a Copa 2014, agora as Olimpíadas. Mas ainda tem muita coisa a fazer, né, gente? Falta infra-estrutura, falta cuidado, falta saber resolver os problemas, falta esforço. Sobra roubalheira, obras superfaturadas, confusão. Temos 25 bilhões pra gastar em um evento esportivo, mas não temos para melhorar a educação, a saúde, as estradas, a moradia e tudo o que falta no nosso país? Como assim? Não seria melhor resolver nossos (MUITOS) problemas antes de bancar esse espetáculo todo? Não seria melhor ver o que fazer com o poder do tráfico, com aquele monte de favela, com o povo tão coitado, com tudo o que tá bem ferrado? Não teríamos que fazer a lição de casa primeiro antes de ir brincar??

O povo festejou. Festejou o quê? Que vamos ter uma cerimônia bonita com mulatas sambando e o Galvão Bueno - se é que vai ser ele até lá - falando coisas emocionantes e vinhetas modernas na Globo? Que vão gastar a grana dos nossos impostos nisso mas não gastam pra fazer o que se deve? Que provavelmente vão roubar até não poder mais? Que por 15 dias o Rio vai estar no centro das atenções do mundo? Tá, mas e depois? Senti que alguns cariocas estão achando que vai ser a redenção da cidade praticamente. Será?

Teve gente dando parabéns pra cariocada. Por quê? Tenho vários amigos cariocas, adoro, mas "puxa, parabéns, sua cidade vai receber as Olimpíadas". Por quê "parabéns"? Ninguém nunca me falou "puxa, parabéns, São Paulo é a maior cidade da América do Sul", ou "parabéns, sua mãe foi promovida", "Parabéns, Buenos Aires é a cidade do Tango", "parabéns, você vai pra Turquia". Nem toda coisa boa é motivo de parabéns. Me chamem de chata, amarga, whatever, mas ah, me poupem. Falo isso na boa, hein!

Espero estar errada. Espero que façam tudo certinho. Temos 7 anos. Poderiam rolar uns projetos sociais, botar a molecadinha pra aprender inglês e trabalhar no evento, dar emprego e um pouco de instrução pra quem não tem. Poderiam realmente melhorar toda a infraestrutura da cidade, mas de verdade e pra todo mundo, não pra inglês ver literalmente. Realmente espero.

A argentinada pagou o maior pau. Vários me perguntaram se eu estava contente, deram parabéns pras cariocas que trabalham comigo. O pessoal aqui dizendo que o Brasil é uma potência. Sinto que eles estão assustados com o destaque que o Brasil está tendo no cenário mundial - e se sentindo bem inferiores com isso. Ouvi um jornalista no rádio dizendo que era pra refletir sobre por quê o Brasil tá bem e a Argentina, não. Vários estão querendo ir ás Olimpíadas, "cuándo vamos a tener otra olimpiada tan cerca de nuevo?". Por enquanto, não ouvi ou li nada pejorativo. Quem diria!

*****

Só dá ele. Já deu várias entrevistas e diz que até no Huck ele vai amanhã por causa do Pagodeversions, uma série de vídeos do Túlio, querido membro do nosso gueto aqui na Portenholândia, com versões em inglês de pagodes dos anos 90. Procurem no You Tube. É ótimo. "Marrom Bombom" virou "Brown Good good" e assim vai. As amizades daqui estão morrendo de orgulho, como ela e ela. E eu também!

1:41 AM -

12.9.09

Tá namoran-do! Tá namoran-do!

É, minha gente. É oficial: Djones está namorando. Djones tem namorado. Djones, uma das pessoas mais encalhadas do sistema solar, agora namora. Na-mo-ra. Djones é namorada de alguém. Alguém é namorado da Djones. Eu repito tanto porque ás vezes nem eu acredito.

Na verdade isso não é lá muito recente. Estamos juntos há quase 8 meses. Já tinha mencionado o rapaz neste humilde espaço virtual de inutilidades. Mas nunca tínhamos pronunciado as palavras "namoro" ou "namorado". Se bem que, sinceramente, nem precisava. Quando falei isso pra uma amiga, ela disse "nossa, que desencanada que você é" ou algo assim. Nem era questão de ser desencanada, mas é que, se o que a gente tem não era namoro, eu não sei o que é.

Até que, há duas semanas, a gente ia a um churrasco com uns amigos meus. Da outra vez que saímos com eles, meses atrás, eu o apresentei como "um amigo", "meu primo", mas sempre dando risada, enquanto um amigo meu, muito do engraçadinho, ficava zoando a gente. Era mais do que claro que ele não era nem meu amigo, nem meu primo. Então, aí antes de ir a esse churrasco, eu perguntei meio na brincadeira-com-fundo-de-verdade se eu poderia apresentar ele como "novio" (namorado em espanhol, pra quem não sabe). Ele disse que sim, claro. E eu perguntei se eu era a "novia" dele. Ele disse que sim, que já era mais do que óbvio que "isso" (imagino que isso = nossa relação) não era algo passageiro. Mas, na verdade, eu já dizia que ele era meu "novio" há tempos, porque ele era, cazzo! Me deu flores e bombons e um bichinho de pelúcia no dia dos namorados (clichê? Naaah), dia em que depois fomos passear de mãos dadas no jardim japonês; foi pro outro lado do mundo comigo e conheceu minha mãe, só passa os fins de semana comigo, fala comigo quase o tempo todo, ele não fica com mais ninguém e nem eu, o que mais precisava pra ser namoro? Nada.

"E aí, Djones, tá feliz?" Para caralho. Eu nunca tive isso, né, minha gente? Eu sempre fiquei só na vontade - um pouco por culpa minha, um pouco por culpa deles. Eu sempre me virei sozinha. Eu fiz terapia pra superar a timidez com os rapazes, eu tomei muito pé na bunda, eu impedi que muita coisa acontecesse. Eu gostei das pessoas erradas. Eu fui a pessoa errada para algumas pessoas. Eu sofri. Mas o tempo passou e ele apareceu.

Não sei se é pra sempre. Não sei se é pra casar. Não sei se é "o homem da minha vida" - aliás, acho tão arriscado falar isso, a vida muda tanto a toda hora, as pessoas mudam tanto - mas é o homem que está deixando a minha vida ainda mais gostosa.

"Djones, tá apaixonada?". Olha... eu penso nele boa parte do dia. Aliás, passamos o dia nos falando por MSN. Mas porque queremos, não por obrigação. Desde que ficamos pela primeira vez nunca mais nos separamos. Não teve um dia em que não nos falamos de algum jeito, nem que fosse por uma mensagem de texto. Eu ando sorridente. Não tem nada que me faça mais feliz atualmente do que beijar o pescoço dele. A boca. A barriga. O peito. Nada é melhor que saber que ele vai chegar em alguns minutos. Adoro ficar na pontas dos pés e me esticar toda para abraçar o 1,92m de altura do indivíduo. Adoro ouvir ele falar. Qualquer coisa. Já chorei de felicidade várias vezes - tipo agora, ou relendo o post de quando nos conhecemos. Acho ele uma das coisas mais fofas do mundo, principalmente quando fala português errado ou canta Zezé de Camargo e Luciano com sotaque argentino. Conto as fofuras dele pras amigas. Nada é mais lindo que ele deitado com os braços cruzados atrás da cabeça, os olhos fechados, a camisa meio aberta, começando a ficar excitado. Adoro ver ele de costas. De frente. Vestido. Pelado. Os ombros largos, o cabelo liso. A boca fina e bem desenhada, os olhos puxadinhos. Os braços fortes. O cheiro. Já inventei uns 478 apelidos pra ele, e cada hora aparece um novo. Os mais usados são "gatão" e "grandão". A gente se perde nos olhos um do outro. Eu confio nele. Eu me preocupo por ele. Eu torço por ele. Eu não gosto nem de imaginar minha vida sem ele agora. Acho que isso é estar apaixonada, né?

Não é fácil. Ele não é perfeito. Nem eu, claro. Ele ás vezes me irrita. Suponho que ás vezes ele não me entende. Ás vezes não é como eu espero. De vez em quando nos desentendemos - o que eu acho perfeitamente normal - mas nunca brigamos, pelo menos por enquanto. Sinto que nós dois estamos nos esforçando pra dar certo, apesar dos nossos medos, das nossas limitações. Acho que é assim que um namoro deve ser...

Mas se você é um ou uma dos meus (05) leitores e tá naquela maré baixa, naquela seca, não tá pegando nem resfriado, eu posso dizer: não perca a fé. Cuide bem de você que o resto vem, mais cedo ou mais tarde. O fato de Djones ter desencalhado é uma mensagem de esperança pra humanidade: se ela pôde, você pode também. É, bem que ele fala que eu sou exagerada...

12:44 AM -

5.9.09

3X1 en Rosario

Ganhar é prazer. Ganhar da Argentina é orgasmo.

HAHAHAHAHA

E o Maradona, cai agora ou ainda vão esperar mais umas derrotas humilhantes?

O amigo do meu namorado disse que o jogo bonito ficou em Guarulhos. Respondi "é, mas os gols ficaram em Rosario"

E vi uma frase genial no twitter agora: "A Argentina é igual ao Michael Jackson: promete show, vende ingresso e morre em casa".

Chuuuupa, Argentina!!

11:26 PM -

31.8.09

Tirando o pó

É, eu sei. Beirando o abandono, este humilde espaço virtual de inutilidades.

Eu quero colocar fotos da viagem. Tenho lindas fotos.

Quero contar da Capadócia e de Berlim.

Quero comentar da Argentina, que sempre rende assunto.

Quero escrever um post bonito sobre o meu namorado. Eu adoro ele cada vez mais, mas não contem pra ele. Ainda.

Eu estou fazendo um blog novo - não para substituir este. É diferente.

Recomeçou meu MBA opressor.

Meu pai vem me visitar quinta. E pela primeira vez em quase 29 anos eu vou dizer "pai, este é o meu namorado". O que me deixa um pouquinho nervosa.

Eu deveria estar lavando louça ou o cabelo. Quando eu posto, eu sempre deveria estar fazendo outra coisa.

Eu reli posts do ano passado nos quais eu prometia postar mais fotos da viagem do ano passado. Já estamos neste ano e eu não postei porra nenhuma. Não que alguém tenha sentido falta, mas enfim.

Vou dormir.

11:11 PM -

16.8.09

Teşekkur ederiz Istambul

Istambul sempre esteve na minha lista de lugares a conhecer, não sei nem por quê. Acho que devo ter visto algum programa sobre a Ayasofia ou algo assim e aquilo ficou na minha cabeça, quase no inconsciente, sei lá.

Pois finalmente conheci e finalmente estou escrevendo um post sobre isso, para o júbilo dos meus (05) leitores. Vou até dividir em tópicos. Senta que lá vem a história.

Cidade

Chegando a Istambul de avião, a impressão que se tem é a de que você vai pousar no mar, um mar verdinho, muito bonito. Enquanto o avião, já em terra, taxeia (como se escreve este verbo?), dá pra ver uma parte da cidade e muitos minaretes. Até chorei quando vi isso, nem me perguntem por quê.

A cidade como um todo é bonita, mas na verdade é mais legal pelo que foi do que pelo que é, como Atenas. Uma rua qualquer não é linda como é linda uma rua qualquer de Paris, por exemplo, mas em cada esquina tem algo interessante, como uma mesquita de 600 anos ou uma ruína de um antigo "hamam", como se chamam os banhos turcos. Fora a água, já que a cidade tem o Bósforo, o Mar de Marmara e o Golden Horn, um canal que eu achei que separava a Europa da Ásia, mas não. Burrinha. É o estreito de Bósforo que separa a parte européia e a parte asiática - segundo consta, Istambul é a única cidade do mundo a estar em dois continentes. Não tem praia, mas vi uns turquinhos usando umas pedras na beira do Mar de Marmara como se fosse praia. Andei bastante ao lado desta pseudo-praia, porque meio que nos perdemos ao tentar ver o mar e não tinha como subir em direção ao palácio que queríamos ir. Vi só duas mulheres, e bem cobertinhas, acompanhadas dos seus respectivos. O resto, tudo homem.

A Ayasofia que eu mencionei acima atualmente é uma espécie de museu, mas já foi igreja e, depois que os otomanos assumiram o poder, virou mesquita. Tem uns 1500 anos e é linda, linda. Enorme, cheia de arabescos como uma mesquita e mosaicos cristãos como uma igreja antiga, e as duas coisas se misturam em alguns lugares.

Do outro lado da praça fica a Mesquita Azul, também linda e enorme e antiga e cheia de arabescos e turistas e muçulmanos rezando. Eu e Marinilse nos sentimos Glória Maria fazendo reportagem em lugares exóticos, porque é tudo muito diferente do que estamos acostumados, e aqueles minaretes e aquelas muçulmaninhas cobertas e aquele som do adann, o chamado muçulmano pra rezar- que aliás é a trilha sonora de uma viagem à Turquia, já que cada mesquita faz o seu chamado ao mesmo tempo, cinco vezes por dia, e são MUITAS mesquitas. Mas achei a coisa mais linda, dá uma impressão de "uau, tô aqui" incrível. Mesmo ás 4h30 da mattina.

Em Istambul há placas em árabe nas mesquitas e em todas as construções mais antigas, tudo dourado, coisa mais linda. Adoro coisas escritas em árabe. Pelo lado estético da coisa, porque não me conformo que algo realmente esteja escrito daquele jeito. Parecem só lindos e elegantes desenhos abstratos, na minha humilde opinião. Pelo que eu entendi, a Turquia só adotou o alfabeto latino depois que virou a Turquia como nós a conhecemos, no começo do século passado (1922 se não me engano).

Outro lugar que vale a pena ir é o Palácio Topkapi, que foi o coração do sultanato por séculos. Enorme, lindo. Tem jardins, museus. É lá que fica o harém onde o sultão mantinha suas mulheres, que aliás eram "controladas" pela mãe dele. O que nos faz pensar se as coisas realmente mudaram tanto em relação aos tempos atuais, não é mesmo?

Mas esses são só os principais. Tem outras coisas bem legais também mas a intenção não é fazer do post um guia completo. Só sei que quero voltar porque não deu pra ver tudo!

Comida


Istambul tem cheiro de milho queimado. Eles comem a espiga de milho cozida e depois queimada, pelo que eu entendi, vendida em carrinhos. Não cheguei a comer. Comi uma rosca de gergelim típica, não lembro o nome, que também é meio onipresente nos carrinhos. É gostosinho mas meio seco, achei que podia ficar melhor com um queijinho.

Amei a comida. É meio árabe, meio armênia, que são as referências que eu tinha já que em São Paulo tem muita comida árabe e aqui, comida armênia, que são parecidas. Amo ambas, então comi bastante lá. Só um kebab na Capadócia fez estragos no meu sistema digestivo, causando toda uma situação impublicável minutos antes de pegar o busão de volta pra Istambul. Digamos apenas que não havia papel higiênico e que um mapa da Capadócia não teve um final feliz.

Tem uma esfiha com nome e formato diferente, chamada pide. Comi muito borek, que é tipo uma empanada folhada, e pilav, aquele arrozinho com macarrão. Tem um pão parecido com pão sírio mas inflado, grande, com gergelim por cima, que eles chamavam de "anatolian bread".

Hummm, delícia.

Povo

O povo é muito aberto e prestativo, aliás até demais. Parei pra ver um mapa e passaram três caras em um minuto falando "do you need help, lady?", "are you lost, lady?" ou coisas assim. Mas diz que não é pra confiar em ninguém na rua, porque provavelmente a pessoa quer te vender algo, te levar pra algum lugar onde ela ganhe comissão ou até coisas não tão inocentes. E se você passa por uma loja, sempre tem um na porta que puxa assunto, fala pra você entrar, pergunta "vere are you from". No começo enche bem o saco, porque ás vezes são vários falando na sua orelha ao mesmo tempo. Dá vontade de gritar um ME DEIXAAA e sair andando. Mas depois a gente acostuma e vê que é só não dar bola. Marinilse ás vezes era simpática e respondia mentindo que era from Japan, eu não tinha muio saco, não. O assédio é pior nos bazares, principalmente no Grand Bazaar, que é o mais famoso e mais turístico.

Achei que tem muito mais homem que mulher na rua. Ou trabalhando, tipo vendedores, garçons, etc. Os meninos do albergue onde ficamos - uns fofos, aliás - disseram que não, mas tive essa nítida impressão. Alguns homens andam de mãos dadas, o que parece que é comum em culturas muçulmanas. As mulheres em geral estão sempre acompanhadas, ou pelo marido, ou com os filhos, ou com outras mulheres. Você não vê uma muçulmaninha andando sozinha por aí.

Na Turquia, nem todas andam cobertas, mas boa parte sim, principalmente as mais velhas. Elas andam com o lenço tapando o cabelo e roupas que tapam tudo, menos as mãos e o pescoço. Usam bastante trench coats ou vestidos com calça e em geral os lenços são muito lindos. Uma ou outra anda toda coberta de preto, só com os olhinhos de fora. Sempre que podia, tirava uma fotinho das muçulmaninhas, disfarçadamente, porque me intrigava muito toda aquela vestimenta naquele calor. E é diferente do que estamos acostumados a ver, né. Acho que já devo ter usado esta frase umas 3 vezes neste post, mas é que é assim mesmo!

Compras

Lenços, pashminas e afins, jóias, bijuterias, artigos de decoração, tapetes - muitos tapetes - temperos, doces típicos, cerâmica - muita cerâmica, coisas lindíssimas aliás. Isso é basicamente o que tem de mais típico lá. Tem coisas muito lindas! E não são tão caras em euros (em pesos argentinos tudo é caro, então nem vale a referência).

Conheci os dois principais bazares, o Spice Bazaar e o Grand Bazaar, que é o maior. Embora já estejam meio ocidentalizados, ainda guardam uma "essência" dos mercados árabes antigos. O Grand Bazaar tem coisas legais mas também tem coisas péssimas, como roupas e acessórios falsificados. Tem barraquinhas típicas mas tem lojinhas nada típicas, principalmente de jóias. Alguns corredores parecem mais um shopping que um bazar. Vale a pena dar uma voltinha pelas ruas ao redor do mercado, que em alguns momentos chega a lembrar a 25 de Março, em São Paulo, de tanto badulaque made in china. Mas é curioso.

Da Taksim Square, uma praça famosa, sai uma avenida onde há lojas que estão por toda a parte na Europa, ou quase, como Mango, H&M (amo!), Benetton, Topshop, etc. Mas as coisas mais legais que comprei a nível de roupa, tirando os lenços e pashminas, foram uma blusa e um vestido de uma loja chamada Centro, que acho que é turca. Tinha até umas camisetas escritas em português! Português errado, mas português enfim. Curioso ver que português é fashion na Turquia!

Pra resumir

Recomendo uma viagem a Istambul. Talvez não como prioridade, digo, se você nunca viajou, não vai pra lá como primeira opção. Mas vale MUITO a pena, é uma dessas cidades únicas, cheias de história, que têm sal, como eu costumo dizer. Eu acho que, como as pessoas, há as cidades sem sal e as que tem algo mais. Isso pode ser subjetivo, claro. Pra mim, Santiago e Montevideo não têm sal. Buenos Aires, sim. Istambul, com certeza.

E como Djones também é cultura, esclareço que o título de post quer dizer "muito obrigada, Istambul".

Pretendo postar fotos e vídeos em breve.

Ai ai, relendo este post, me deu tanta vontade de voltar pra lá...

2:24 PM -

9.8.09

Voltando

Voltei, minha gente.

Aos poucos estou superando a depressão pós-Europa. Não sabe o que é? É o seguinte: lá - pelo menos na Suíça - tudo funciona como e quando deve. Tudo é limpo, quase asséptico. Tudo é bem cuidado. Nada te incomoda, nada fere, nada é difícil. Sei que estou exagerando, mas acreditem, meus (05) leitores, não estou exagerando muito. Ok, o clima é uma merda, era verão e chovia e fazia 13 graus, e as pessoas são insossas, mas quem liga pra isso quando está de férias e com gente querida?

Aí a pessoa sai disso e volta pra Buenos Aires. Chega no aeroporto de Ezeiza. Aquela bosta de esteira pras malas. Aquela demora. Ok, enquanto eu esperava pude desfrutar da bonita vista proporcionada por parrudos jogadores de rugby porteños que estavam no meu vôo, mas mesmo assim. As pessoas se abraçando na saída do desembarque, mas bem no meio do corredor, impedindo que os que vêm atrás e não têm nada a ver com o reencontro passem. A típica postura argentina de só se importar consigo mesmo. Os cento e muitos pesos de táxi para ir pra casa. Os carros caindo aos pedaços pelo caminho.

No dia seguinte a pessoa volta ao trabalho. Que é legalzinho, ok, mas é trabalho. Fechada num escritório e pensando que dois dias antes estava andando por Davos de mãos dadas com meu argie tamanho família e vendo os Alpes.

Ok, estou reclamando de barriga cheia e depressão pós-Europa de cu é rola. Mas enfim.

"E aí, Djones, como foi a viagem?", dirão meus (05) fiéis leitores.

Fantástica. Fiquei os 23 dias da viagem sofrendo de rinite, sinusite ou alguma outra coisa que fez meu nariz colapsar. Na volta, passei as 17 horas de viagem em dois vôos assoando o nariz. Mas só ter estado com a minha mãe, ter visto a Ayasofia e o Muro de Berlim já teria valido a pena, com ou sem nariz. E eu fiz muito mais que isso.

Primeira parada, Zürich. Já descrita em posts dos dois anos anteriores, e nada mudou. Mas pode ser que retome o tema num próximo post. Ou não.

De lá, Istambul. Que sempre esteve na minha lista de sonhos, não sei nem por quê.

De Istambul, Capadócia. Famosa pela música do Jorge Benjor, a Capadócia é uma região da Turquia com exóticas formações rochosas e casinhas construídas nas rochas no século... bom, faz tempo. Pra quem quiser saber mais e fala inglês, clica aqui (porque Djones também é cultura).

Istambul de novo, de lá Zürich de novo. Nächste Halte (próxima parada), Berlim. Berlim, volta pra Zürich, passeinho bate-e-volta em Davos, Zürich de novo e tchaaaau.

No próximo post, vou falar um pouco mais dos lugares aonde fui, só pra este post não ficar enorme.

10:04 PM -

2.7.09

Tchüss

Nem vou escrever muito. Amanhã estou indo viajar de novo, como disse antes. De férias. Não esperem muitos posts, meus (05) leitores, a não ser que me dê uma vontade inenarrável de compartilhar as histórias que eu certamente vou viver em Istambul ou em Berlim.

Agora estou terminando de arrumar as malas e estou obcecada com cosméticos em embalagens pequenas. Ano passado levei um monte nas embalagens normais, o que encheu bastante o saco - por causa do peso e do tamanho de tudo e porque minha mãe ficou me zoando. Vi que no Brasil estão começando a vender shampoos e coisas do gênero em kits para viagem, ou frascos pequenos vazios na farmácia. Aqui na Argentina ainda não. Na Europa é bem comum (amo, porque ainda por cima fica tão fofo o shampoozinho pititico).

Falando em Argentina, ah, a Gripe A. Que aqui estava sendo chamada de "gripe porcina". Impossível não pensar na Regina Duarte, Sinhozinho Malta, Roque Santeiro e aquela coisa toda. Agora é Gripe A e tá todo mundo beeem noiado. Vi uma mulher de máscara (que aqui se diz "barbijo") no supermercado. Aliás, barbijos e álcool em gel (daqueles pra passar na mão) estão esgotados nas farmácias e supermercados. Aqui é o país com maior número de mortos, embora não seja o que tenha mais casos (pelo menos, não oficialmente).

Na minha humilde e talvez ignorante opinião, três coisas contribuíram pra que o vírus se espalhasse por aqui: primeiro, o inverno. Como está frio, quase todos os lugares ficam fechados e com a calefação ligada. Segundo: o hábito argentino de dividir o mate. Eles fazem uma roda e vão passando, todo mundo bebendo do mesmo canudo. Terceiro: cá entre nós, a galera não é muito de lavar a mão aqui não. O tempo todo vejo a mulherada sair do banheiro e passar direto pela pia, dando só uma paradinha no espelho pra ajeitar o cabelo e olhe lá. Diz que os homens, a mesma coisa. Aí realmente complica, né?

Anteontem haveria uma festa da empresa e cancelaram. Ontem tive uma reunião para discutir um "plan de contingencia" se fecharem lugares públicos e escritórios e ninguém puder ir trabalhar normalmente. Estou me sentindo num filme de ficção científica. É estranho.

Mas amanhã vou fugir lindamente de tudo isso rumo à Suíça. Ô, dureza...

10:50 PM -

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